
Brasília - Uma semana depois de ter sido apontada como autora de apelo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a saída do ministro demissionário Antônio Palocci, a senadora estreante Gleisi Hoffmann (PT-PR), 45 anos, esposa do atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, é a nova ministra-chefe da Casa Civil. Ela aceitou ontem mesmo o convite feito pela presidente Dilma Rousseff para ocupar o cargo.
A saída do ex-ministro da Casa Civil Antônio Palocci, abre espaço para que a interlocução política do governo seja exercida por alguém sem resistência no Congresso. Gleisi deve assumir parte das atribuições do ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, desgastado com as derrotas no novo Código Florestal e com a perda de validade de duas medidas provisórias.
A nova ministra negou que tenha pedido a saída de Palocci. Disse que defendeu a necessidade de o ministro prestar esclarecimentos em razão de envolver um assunto pessoal que estava afetando o governo. "Não defendi a saída do ministro Palocci e tenho certeza de que ele vai dar todas as explicações e esclarecimentos necessários nos fóruns competentes", disse a senadora.
O primeiro desafio de Gleisi Hoffmann é evitar hoje a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC), elaborada por um dos líderes da oposição, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), de modificar o rito de tramitação das medidas provisórias que permite que sejam rejeitadas por comissão mista da Câmara e do Senado.
Na primeira baixa do governo Dilma, Palocci cai após 23 dias sob intenso fogo cruzado da mídia, da oposição e do Ministério Público Federal em Brasília, apesar de ter sido beneficiado por decisão do procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Anteontem, ele mandou arquivar representações a favor de abertura de inquérito policial para apurar indícios levantados pelo ministro de enriquecimento ilícito e tráfico de influência.
De acordo com reportagem publicada no dia 15 de maio pelo jornal Folha de S.Paulo, semanas antes de assumir a chefia da Casa Civil Antônio Palocci comprou um apartamento
Em sua defesa, o então ministro alegou que o lucro foi gerado por sua empresa de consultoria, a Projeto, dentro da legalidade e declarado à Receita Federal. No entanto, ele alegou que cláusulas de sigilo o impediam de revelar maiores detalhes sobre os contratos ou seus clientes. É a segunda vez que ele deixa a cúpula do governo. Em 2006, ele saiu do Ministério da Fazenda depois de ser acusado de ter quebrado o sigilo bancário de um caseiro.
Em nota oficial sobre o pedido de demissão de Palocci, a presidente "lamenta a perda de tão importante colaborador". Ela também destacou a "valiosa participação" de Palocci em seu governo e agradeceu os serviços que ele prestou ao governo e ao País.
Cobrança do PMDB
Outra tarefa da nova ministra será acalmar os ânimos dos partidos aliados por cargos e evitar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias contra Palocci. Em especial o PMDB, principal legenda de apoio ao governo depois do PT. Em meio à crise desenfreada pelo escândalo em torno de Palocci, a legenda apresentou ao governo uma lista com 50 cargos de segundo escalão.
O líder do PSDB, Álvaro Dias (PR), disse que continuará a tentar convencer os governistas a completar a relação de 27 assinaturas para a abertura da CPI. Mas, deve perder assinaturas ou potenciais signatários. "A presidente Dilma tomou a atitude correta", afirmou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), um aliado independente que cobrou a saída de Palocci. "Agora não há mais motivo para CPI. Vamos pensar numa agenda positiva", completou.
O requerimento da oposição para abrir a investigação no Congresso saltou para 22 nomes, com a adesão dos senadores pedetistas Pedro Taques (MT) e Cristovam Buarque (DF). O senador Itamar Franco (PPS-MG), cuja licença médica termina na semana que vem, também garantiu a assinatura. Pelos cálculos da oposição, os quatro nomes restantes devem vir do PMDB.
Os outros três peemedebistas cotados para assinar o documento são os senadores Ricardo Ferraço (ES), Casildo Maldaner (SC) e Luiz Henrique (SC). Integrantes de um grupo conhecido como "independentes", não aceitam que o controle da bancada esteja concentrado nas mãos de três peemedebistas mais antigos: José Sarney (AP), Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR).
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Informações Obtidas Por www.dci.com.br
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