Em julho do ano passado, as equipes do Bom Dia Brasil flagraram o caos
na saúde pública de Maceió. Agora, profissionais de saúde e pacientes
voltam a reclamar da superlotação na principal maternidade de Alagoas. Uma mulher deu à luz no chão da recepção do hospital.
As imagens mostram o momento do parto, feito às pressas no chão mesmo da recepção da maternidade. Segundo o servente de pedreiro, não foi o único caso.
As imagens mostram o momento do parto, feito às pressas no chão mesmo da recepção da maternidade. Segundo o servente de pedreiro, não foi o único caso.
“Eu ajudei duas mulheres a se deitarem no chão. Dei até a toalha da
minha mulher para ela sentar. Assim que eu dei a toalha da minha mulher,
que a mulher deitou, teve o menino”, conta Wellington Santos.
Pelos corredores, várias pacientes internadas em colchões. O
atendimento é improvisado e falta até suporte para o soro. A
superlotação e a precariedade do atendimento causaram revolta.
“O esposo de uma paciente, já também constrangido de ter ido para
tantas maternidades e não poder ser atendido, começou a me agredir,
exigindo atendimento, que eu tomasse providência imediata”, conta
Valéria Fragoso, médica.
Foi preciso chamar a polícia. “É desumano, é degradante, é humilhante
para o profissional, sem falar no próprio paciente”, lamenta Valtenice
Veloso, médica.
A UTI neonatal estava com 11 bebês além da capacidade. Uma incubadora
teve que ser improvisada no corredor com papelão e plástico.
No fim da tarde, depois do tumulto, 12 das 40 pacientes haviam sido
transferidas ou tiveram alta. Ainda assim, é possível encontrar pessoas
nos corredores, como uma mulher que deu à luz na sala de triagem.
“Desconforto no chão. Passar a madrugada todinha rodando pelas
maternidades. Eu tive na cadeira e vim parar no chão depois que ganhei
neném”, conta Maria Flores Neta, vendedora.
“Nós temos as maternidades, que mais uma vez não abrem, não atendem.
Estamos convidando o secretário de Saúde municipal e o coordenador do
Cora. Eles precisam vir para ver a realidade da Santa Mônica, porque a
gente vai fechar as portas”, afirma Rita Lessa, diretora da maternidade.
O secretário de Saúde de Maceió se comprometeu a contratar pelo menos
mais 30 leitos em hospitais conveniados, e garantiu que em um prazo de
um mês e meio não haverá mais esse tipo de transtorno no atendimento
público no município.
“Nós não teremos mais, nesta cidade de Maceió, partos no chão. Isso é
impossível. Isto é uma coisa inadmissível. A partir do momento em que a
rede conveniada estiver funcionando plenamente e esses novos leitos já
tiverem funcionando, que é um prazo de 45 dias, este problema vai ser
sanado”, diz João Marcelo Lyra, secretário de Saúde de Maceió.
A secretaria de Saúde de Maceió informou que será publicada, ainda esta
semana, uma portaria exigindo que, a partir de agora, todas as unidades
de saúde que atendam gestantes tenham uma equipe mínima com médico
pediatra, ginecologista e anestesista. O cumprimento da portaria vai ser
fiscalizado por equipes técnicas da secretaria.
Imagens mostram o momento do
parto feito às pressas. Pelos corredores, várias pacientes internadas em
colchões. Uma incubadora teve que ser improvisada no corredor com papelão e
plástico.
G1 Bom Dia Brasil

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