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quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Bom Dia Brasil, Mulher dá à luz no chão da recepção de maternidade em Alagoas

Em julho do ano passado, as equipes do Bom Dia Brasil flagraram o caos na saúde pública de Maceió. Agora, profissionais de saúde e pacientes voltam a reclamar da superlotação na principal maternidade de Alagoas. Uma mulher deu à luz no chão da recepção do hospital.

As imagens mostram o momento do parto, feito às pressas no chão mesmo da recepção da maternidade. Segundo o servente de pedreiro, não foi o único caso.

“Eu ajudei duas mulheres a se deitarem no chão. Dei até a toalha da minha mulher para ela sentar. Assim que eu dei a toalha da minha mulher, que a mulher deitou, teve o menino”, conta Wellington Santos.

Pelos corredores, várias pacientes internadas em colchões. O atendimento é improvisado e falta até suporte para o soro. A superlotação e a precariedade do atendimento causaram revolta.

“O esposo de uma paciente, já também constrangido de ter ido para tantas maternidades e não poder ser atendido, começou a me agredir, exigindo atendimento, que eu tomasse providência imediata”, conta Valéria Fragoso, médica.

Foi preciso chamar a polícia. “É desumano, é degradante, é humilhante para o profissional, sem falar no próprio paciente”, lamenta Valtenice Veloso, médica.

A UTI neonatal estava com 11 bebês além da capacidade. Uma incubadora teve que ser improvisada no corredor com papelão e plástico.

No fim da tarde, depois do tumulto, 12 das 40 pacientes haviam sido transferidas ou tiveram alta. Ainda assim, é possível encontrar pessoas nos corredores, como uma mulher que deu à luz na sala de triagem.

“Desconforto no chão. Passar a madrugada todinha rodando pelas maternidades. Eu tive na cadeira e vim parar no chão depois que ganhei neném”, conta Maria Flores Neta, vendedora.
“Nós temos as maternidades, que mais uma vez não abrem, não atendem. Estamos convidando o secretário de Saúde municipal e o coordenador do Cora. Eles precisam vir para ver a realidade da Santa Mônica, porque a gente vai fechar as portas”, afirma Rita Lessa, diretora da maternidade.

O secretário de Saúde de Maceió se comprometeu a contratar pelo menos mais 30 leitos em hospitais conveniados, e garantiu que em um prazo de um mês e meio não haverá mais esse tipo de transtorno no atendimento público no município.

“Nós não teremos mais, nesta cidade de Maceió, partos no chão. Isso é impossível. Isto é uma coisa inadmissível. A partir do momento em que a rede conveniada estiver funcionando plenamente e esses novos leitos já tiverem funcionando, que é um prazo de 45 dias, este problema vai ser sanado”, diz João Marcelo Lyra, secretário de Saúde de Maceió.

A secretaria de Saúde de Maceió informou que será publicada, ainda esta semana, uma portaria exigindo que, a partir de agora, todas as unidades de saúde que atendam gestantes tenham uma equipe mínima com médico pediatra, ginecologista e anestesista. O cumprimento da portaria vai ser fiscalizado por equipes técnicas da secretaria.

Imagens mostram o momento do parto feito às pressas. Pelos corredores, várias pacientes internadas em colchões. Uma incubadora teve que ser improvisada no corredor com papelão e plástico.

G1 Bom Dia Brasil

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