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quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Dubiedade do PT em relação ao Hamas ajuda bolsonarismo a ‘sair das cordas’

 Militantes do grupo fundamentalista Hamas protestam ao norte da Faixa de Gaza contra as negociações de paz entre Israel e Palestina

VEJA

A posição, no mínimo, dúbia do PT e do governo Lula sobre o grupo palestino Hamas em relação aos ataques terroristas cometidos contra civis de Israel abriu um flanco considerável para a oposição, em especial a bolsonarista, ir para o ataque no Congresso.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora tenha emitido nota criticando os atos terroristas, não citou o Hamas – a mesma postura foi adotada pelo PT, que em nota oficial assinada pela presidente, Gleisi Hoffmann, também omitiu o nome do Hamas.

Além disso, uma carta de apoio ao Hamas assinada em 2021 por gente graúda do PT, como o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, e o líder do PT na Câmara, Zeca Dirceu, voltou a circular intensamente nas redes sociais e vem sendo usada pela oposição bolsonarista.

Na segunda-feira, uma nota assinada pelo MST, movimento sem-terra que apoia o PT e o governo, também chamou de “legítima” a ofensiva do Hamas – embora também não tivesse citado o nome do grupo palestino.

Na noite de terça-feira, em uma semana esvaziada no Congresso, os ataques da oposição ao governo e à esquerda em geral pela postura em relação ao Hamas dominou as tribunas tanto do Senado quanto da Câmara.

“O ataque covarde, terrorista, bárbaro que aconteceu, do Hamas contra o Estado de Israel, não pode ficar e merecer o silêncio desta nação. Especial ao presidente Lula, que não deu nome aos bois. Foi um atentado terrorista do Hamas. Não tem que passar mão no terrorista”, disse a deputada Adriana Ventura (Novo-SP).

“Eu pergunto: qual o motivo de o presidente Lula não ter agido com firmeza e nem sequer citar o grupo terrorista Hamas quando falou dos ataques?”, questionou a deputada Clarissa Tércio (PP-PE).

“Qual a posição que o governo brasileiro tem sobre o Hamas, movimento terrorista? Por que deputados de esquerda visitam a Palestina, um lugar onde não se respeita a liberdade religiosa, onde não se respeitam os gays, onde não se respeita a democracia?”, questionou o deputado Luiz Lima (PL-RJ).

O deputado governista Helder Salomão (PT-ES) tentou uma defesa. “Todo ato de violência tem que ser condenado, todo ato terrorista tem que ser condenado. Então o ato praticado pelo Hamas tem que ser condenado. Não há solução para os conflitos se não for por meio do diálogo. Ao invés de enviar armas para o conflito entre Israel e Palestina, os Estados Unidos deveriam enviar uma missão de paz. É o que o governo brasileiro propõe”, disse.

Além do Congresso, a saia-justa da esquerda e do governo com o Hamas também tem sido amplamente explorada pela oposição nas redes sociais.

De uma certa forma, o tema ajudou o bolsonarismo a “sair das cordas” — como se diz no boxe quando um lutador está acuado –, onde se encontrava desde o início do cerco policial e judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. As derrapadas do governo em pautas de costumes, como aborto, por exemplo, já haviam dado fôlego ao bolsonarismo para sair das cordas – agora, com a crise em Israel, parece ter conseguido mudar o assunto central no debate político e ir para o ataque contra o governo Lula.

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