Maria Clara Adolfo de Souza tinha apenas 21 anos. Era técnica de enfermagem, mas trabalhava como promotora de vendas em um supermercado e morava com a família em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.
Na época, Maria Clara estava grávida de quase quatro meses. A bebê já tinha até nome: Aurora.
O pai da criança seria o policial militar João Gabriel Tenório Ferreira, com quem Maria Clara mantinha um relacionamento havia cerca de três anos. No entanto, segundo as investigações, o policial era noivo de outra mulher e não queria que Maria Clara continuasse com a gravidez.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, João Gabriel chegou a pressioná-la para interromper a gestação e teria se oferecido para pagar pelo procedimento. Maria Clara se recusou. Ela queria ter a filha e, segundo familiares, estava feliz e animada com a chegada de Aurora.
Mas em junho de 2024, João Gabriel teria levado um pote de açaí para Maria Clara enquanto conversava com ela. Segundo a acusação, o alimento continha ch*mb!nh0, numa suposta tentativa de provocar a interrupção da gravidez. Maria Clara percebeu algo estranho, cuspiu parte do alimento e sobreviveu.
Cerca de um mês depois, na noite de 24 de julho de 2024, Maria Clara estava em casa quando recebeu um contato relacionado ao policial.
Ela foi informada de que um amigo de João Gabriel iria até a sua casa, para lhe entregar uma quantia em dinheiro, para ajudar com os custos do enxoval do bebê.
Antes de sair, Maria Clara avisou a mãe que desceria para receber o dinheiro e mencionou o nome do policial. Aquela mensagem acabaria se tornando uma peça importante para a investigação.
Por volta das 20h50, Maria Clara saiu de casa e ficou na calçada. Pouco depois, dois homens chegaram em uma motocicleta. Em seguida, vários disparos foram feitos contra ela.
O pai de Maria Clara ouviu os tiros e correu para fora. Ele ainda conseguiu ver os dois homens deixando o local de moto, mas, naquele momento, nem imaginava que a pessoa atacada era sua própria filha.
Quando se aproximou, encontrou Maria Clara caída. A jovem havia sido atingida por 11 d1sp@ros e morreu no local. Com ela, também morreu Aurora, a filha que esperava. O celular de Maria Clara foi levado.
As investigações começaram e, aos poucos, a polícia passou a suspeitar justamente do homem que seria o pai da criança.
No dia seguinte ao crime, João Gabriel chegou a se apresentar à polícia acompanhado de uma advogada. Ele negou qualquer participação e, naquele momento, foi liberado.
Mas as investigações continuaram. Segundo a acusação, João Gabriel não teria apenas planejado o crime: ele próprio teria efetuado os disparos contra Maria Clara.
O segundo homem foi identificado como Eduardo Oliveira da Silva, conhecido como “Toupeira”. De acordo com o Ministério Público, ele teria conduzido a motocicleta utilizada na execução.
Em 1º de agosto, pouco mais de uma semana depois do assassinato, os dois foram presos.
João Gabriel foi encaminhado ao Centro de Reeducação da Polícia Militar de Pernambuco, enquanto Eduardo foi levado para o Cotel.
Posteriormente, o Ministério Público denunciou os dois, e a Justiça aceitou a acusação, tornando-os réus. João Gabriel também passou a responder pela suposta tentativa anterior de provocar a interrupção da gravidez de Maria Clara com o alimento contaminado.
Eles seguem preso aguardando o julgamento.
Fonte: Dossié Criminal.